segunda-feira, 27 de setembro de 2010

Certa vez enviei rosas para uma menina que eu gostava muito. Eu realmente gostava daquela menina. Crescemos juntos, nos conhecíamos. Dos 10 aos 15 anos dela, ela sempre foi apaixonada por mim e eu a via apenas como uma amiga. Quando ela deixou de gostar de mim, me apaixonei perdidamente. Nada programado, tudo aconteceu naturalmente. Nessa transição do eu me apaixonar e ela me esquecer, passamos algum tempo só nosso. Quando eu estava com ela era algo tão completo, o mundo inteiro acabava, restava apenas nós dois. Meu amor por ela era puro, inocente, não havia toques, beijos, havia apenas o olhar entre nós dois que tornava desnecessário qualquer outro gesto de amor. Mas o inferno caiu sobre nós e as gotas dos caldeirões de óleo fervente roeram nossa pele, machucou os nossos corações e nós, mais do que qualquer outra coisa nos machucamos. Nós nos machucamos tanto. Eu corri, corri demais e tentei de muitas formas trazê-la de volta. Então enviei as rosas as quais eu mencionei no começo desse texto. Enviei as rosas, e uma carta, mas não coloquei meu nome nela. Nessa altura da vida dela muitos garotos olhavam para ela e ela olhava para muitos garotos. Na mesma noite, ela me disse com um sorriso lindo no rosto: "Obrigada, obrigada pelas flores. Eu nunca havia recebido flores antes". Perguntei como ela sabia que era eu quem havia mandado. Fazia meses que não conversávamos. Então ela me disse: "Na carta dizia: "Eu te amo com todo o meu coração"". Ali eu havia conquistado uma certeza: eu havia feito tudo, tudo que podia ter feito para trazê-la para mim. Não fiquei com medo de dizer a ela tudo que sentia. Não desisti mesmo depois de muitas lágrimas derramadas por ela e ela sabia que o único que a amava de todo o coração era eu. Depois disso ela nunca mais encontrou o amor verdadeiro e eu e ela sabemos que ela nunca encontrará. Não ficamos juntos. Nossa história deu errado como tantas histórias de amor que já deram erradas nesse mundo e como muitas que ainda encontrarão o fracasso, a derrota e o gosto amargo da infelicidade. Nos encontramos algumas vezes e em todas as vezes que a econtrei ela estava indescritivelmente perdida. Na última vez que nos vimos, alguns dias atrás, passamos um do lado do outro e nossos olhos se cruzaram. Consegui rever toda nossa vida em alguns segundos. Mas não o caminho que trilhamos. Revi um caminho paralelo, um caminho onde lá atrás ela havia escolhido pelo nosso amor, nosso casamento, nossos filhos, nossa vida incrivelmente feliz que nunca aconteceu.

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